Esperar dos outros

Esperar dos outros

Detesto reclamar da vida. Não acho justo. Sou tão abençoada com saúde, uma família maravilhosa, um emprego que amo, uma vida em paz, que eu não acho bonito nem justo reclamar disso.

No entanto, reclamo das pessoas. Reclamo mesmo, xingo, digo desaforos (mentais, na maior parte do tempo), tudo porque deposito muitas esperanças nelas. Infelizmente, tenho o péssimo hábito de esperar das pessoas algo que eu gostaria que fizessem por elas, por mim, por qualquer coisa. Espero que ajam como eu agiria se estivesse no lugar delas. E isso está errado.

Como posso querer entrar na cabeça delas assim? Decidir o que é melhor? Estabelecer até prazo para que seja feito? No mínimo, o que ganho com esse comportamento é frustração. Frustro-me todo dia um pouco, com algo, com alguém – um colega, um amigo, o marido. E isso me acaba psicologicamente.

Assumo para mim uma frustração e uma falha se certa coisa não é feita ou se não é feita a minha maneira. Não é nem mesmo algo que conte para minha vida, para o meu trabalho. Quando se trata do que espero que meu marido faça para o nosso bem-estar – trocar o carpete dos quartos, instalar finalmente o novo ventilador de teto, etc – eu até entendo. Em parte, a não-ação dele influencia na minha vida, mas nem sempre são coisas assim.

Descobri, dias atrás, que estava acumulando em meus ombros e na minha cabecinha, objetivos e frustrações que não me diziam respeito, como lembrar minha chefe que aquele modelo de curso deve ser implantado até o fim da sessão verão 2012.2 para ser aprovada pela diretoria. Não é da minha alçada, não é curso que eu vou dar, nem nada. Mas, na minha cabecinha, esse lembrete me martelava. Caso ela tivesse esquecido, sentiria uma fatia de frustração pelo fato, mesmo sem resultado direto em minha vida. Loucura, pode dizer.

Dei-me conta disso muito recentemente, e tem sido muito difícil deixar esse jeito de agir de lado (prefiro dizer assim que usar o termo “mudar”, ele é direto e pragmático demais para mim), não querer agir pelos outros, não esperar dos outros.

Sinto-me um pouco mais leve, mas extremamente em falta com o mundo. É como se não estivesse cumprindo minha funções. E os dias vão passando… como no AA, já são 10 dias assim…

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